Com Gama em baixa, Bezerrão recebe torneio de dominó e escola de samba
MatériaMais Notícias
da gbg bet: Reinaugurado com toda pompa em 2008, o estádio Bezerrão, no Gama, deixou para trás os dias de glória.
Se em novembro daquele ano o Brasil goleou Portugal por 6 a 2, o cenário atual em nada lembra a partida que, tempos depois, tornou-se uma pedra no sapato na gestão de Ricardo Teixeira e de Sandro Rosell, presidente do Barcelona (leia abaixo lista com todas as irregularidades verificadas no contrato do jogo).
Com o Gama fora até da Série D do Brasileirão, o estádio tem sido ocupado por outras atividades que não o futebol, que raras vezes tem marcado presença por lá. Recentemente, um torneio de dominó foi realizado debaixo da arquibancada do
Bezerrão. O local tem abrigado ainda os ensaios da escola de samba Mocidade do Gama e da bateria da torcida organizada Ira Jovem.
A reforma do Bezerrão custou R$ 51 milhões e o custo mensal para a manutenção do equipamento custa R$ 180 mil. Apesar dos valores, a estádio já precisa de pequenos reparos estruturais. Pequenas rachaduras e necessidade de pintura nova em algumas áreas já foram verificadas pelos administradores do local, de propriedade do Governo do Distrito Federal. Isso não significa, contudo, que as intervenções serão realizadas
– O menino já nasceu defeituoso, mas não podemos cobrar também uma grande qualidade de ferro, cimento e tinta – disse Antônio Alves do Nascimento Neto, o Tonhão, presidente do Gama.
Na Copa das Confederações-2013, o Bezerrão recebeu um treino da seleção japonesa. O local também está credenciado como Campo Oficial de Treinamento pelo Comitê Organizador Local da Copa-2014 (COL). O L!Net não conseguiu contato com nenhum membro da Secretaria de Esporte do Distrito Federal.
da winzada777: COM A PALAVRA
Antônio Alves do Nascimento Neto, presidente do Gama
‘Existem defeitos, mas está ótimo para o Gama’
O estádio é do governo, mas usaríamos melhor se estivesse nas mãos do Gama. Mas acho que passada a animação com o Mané Garrincha, teremos mais jogos por aqui, tenho esperança que o Bezerrão será mais usado.
Se o Mané Garrincha esperar apenas por futebol, ele vai derreter. Existem alguns defeitos no estádio, mas está ótimo para o Gama. Acho que o governo deveria dar um caráter multiuso para o Bezerrão, mas isso não sou eu quem pode resolver.
AS IRREGULARIDADES
1. O projeto básico apresentado pela Ailanto (empresa de Rosell), segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), não reunia elementos básicos exigidos por lei, por exemplo, as etapas de execução.
2. Não havia comprovação de como se chegou aos R$ 9 milhões dos custos. A Procuradoria Geral do DF (PGDF) cobrou cópias de contratos e faturas de prestação de serviços da Seleção na época.
3. Não havia planilha com detalhes dos gastos.
4. A PGDF elaborou parecer em que considerou inviável a contratação da Alianto. Para que o convênio fosse firmado, 11 exigências teriam de ser atendidas. Nem todas aconteceram.
5. Não bastassem as alterações, o novo contrato teria de voltar à Procuradoria para análise jurídica definitiva. Também não aconteceu.
6. Parte dos documentos pedidos pela PGDF foram apresentados. Alguns em espanhol e sem a devida tradução.
7. Segundo o MPDFT, o Termo de Compromisso entre GDF e Ailanto surgiu de “forma inusitada”. Inexplicavelmente, ele foi firmado em setembro de 2008, um mês antes da abertura do processo para contratação.
8. A cláusula segunda do contrato cita documentos que, de acordo com a PGDF, não estavam nos autos do processo administrativo.
9. O contrato foi firmado em 12 de novembro de 2008, uma semana antes do jogo. Para o MPDFT, “não é com uma antecedência de sete dias que se consegue trazer a Seleção.” O anúncio do amistoso ocorreu no fim de setembro.
10. Ao adquirir os direitos, o GDF deveria ficar com a renda da partida. Sem ato jurídico para tal, a Federação Brasiliense de Futebol (FBF) levou as receitas e arcou com as despesas do jogo.
11. No borderô, há gastos que, por contrato, deveriam ser bancados pela Ailanto, como segurança, ingressos, decoração e buffet, passagens e hospedagem. Nada foi pago por ela. Foram emitidas notas de empenho conforme determinado. No entanto, o pagamento ocorreu de forma distinta, após autorização direta do então governador do DF, José Roberto Arruda.